A educação que é oferecida à maioria de nossos alunos se mostra como uma
silenciosa injustiça, pois há nas prateleiras o livro que a escola possui e que
geralmente não é lido. O teatro que não é visto, a música que não é ouvida, a
pintura que não é apreciada, o filme que não é assistido ou talvez, é assistido
como entretenimento e não como enriquecimento, tudo isso ligado a uma cultura
não leitora. O pouco que é oferecido vem sempre como migalhas, deixando a cada um
a possibilidade de aprimoramento e de busca por mais e novas experiências. Eis
aí tamanha injustiça, pois se o saber não passa pela escola, dificilmente
passará por outra instância.
Vivemos atualmente na era da informação. Quem tem informação sabe onde
investir, onde plantar. Quem tem tecnologia, informação, domina o mundo. Um
país com milhões de analfabetos fica pra trás. Magda Soares nos diz que:
para se ter acesso ao mundo da leitura e da escrita e
nele poder viver, são necessários dois passaportes:
o domínio da tecnologia da escrita – o sistema alfabético e ortográfico –
passaporte que se obtém com o processo de alfabetização; e é preciso ter
desenvolvido competências de uso dessa tecnologia – saber ler e escrever em
diferentes situações e contextos – passaporte que se obtém com o letramento.
(SOARES, 2006. p. 03).
O Brasil necessita aumentar seu número de acesso à cultura letrada. Essa
formação necessita, de forma adequada iniciar e se desenvolver na escola. É
preciso letrar, e ainda, discutir na contemporaneidade, a evolução do
pensamento crítico de nossos alunos/cidadãos. Pensando nessa ideia, Maria
Antonieta Pereira contribui muito ao afirmar que:
Evidentemente, não podemos formar leitores como se
ainda estivéssemos no século XIX, em que a grande mídia era o texto impresso,
muito bem representado pelo folhetim, gênero que mistura jornal e romance.
Contudo os problemas de alfabetização e letramento em países como o Brasil não
terminam aí: em pleno terceiro milênio, ainda temos milhões de analfabetos e
semi-analfabetos, o que contribui para reduzir violentamente os níveis de
leitura da população em geral. (PEREIRA, 2007, p. 37).
Indo na perspectiva dessa autora, entendemos
que, realmente não podemos formar leitores no século XXI, se utilizando de
práticas tradicionais. Se de fato, buscamos uma leitura literária prazerosa na
sala de aula, por que não partir do contemporâneo, das práticas atuais de
linguagem?
O Brasil é uma nação formada,
simultaneamente, por analfabetos, analfabetos funcionais, alfabetizados, leitores
médios, leitores de alto nível etc. E ainda, se é verdade que qualquer país do
mundo também comporta essa variedade de leitores, também é verdade que o nosso
problema é mais grave porque temos uma alta porcentagem de analfabetos e
semi-analfabetos e uma baixíssima porcentagem de leitores formados nas
habilidades e competências requeridas pela contemporaneidade.

A explosão dos meios audiovisuais fortalece
a exploração conjunta, de aspectos de um novo processo de ensino-aprendizagem,
um processo que envolva a leitura do texto e consequentemente a leitura da
vida. Se o que rodeia nossos alunos é a imagem, temos que começar já a se valer
do computador, da televisão, do cinema e assim, promover a circulação da
literatura de forma hipertextual. O contato com o literário, para o público que
se encontra nas salas de aula hoje, certamente, será mais vivo, prazeroso. A
utilização da imagem fortalecerá a leitura das obras canônicas em versões
impressas ou mesmo em versão online.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PEREIRA, Maria Antonieta Pereira.
Jogos de linguagem, redes de sentido:
leituras literárias. In: PAIVA, Aparecida. Et al. Literatura: saberes em movimento. 1ª ed. Belo Horizonte: Autêntica,
2007.
SOARES, Magda. Qual a diferença
entre a alfabetização de crianças e a de jovens e adultos? Jornal Letra A
Especial, Belo Horizonte, ano 2, Edição Especial, p. 3, jun/jul. 2006. < http://www.ceale.fae.ufmg.br/nomade/midia/docs/150/phphxxomL.pdf>
acesso em 05 de junho de 2012.